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A importância da AX na era da IA

AX na prática: como desenvolver soluções digitais para agentes autônomos

Durante anos, projetamos experiências digitais para pessoas. Pensamos telas, fluxos e microinterações. Além disso, investimos em UX (User Experience), refinamos CX (Customer Experience), e otimizamos DX (Developer Experience). Tudo isso para tornar produtos digitais mais acessíveis, intuitivos e eficientes para humanos.

Mas agora, uma nova persona entra em cena e ela não tem olhos para visualizar uma interface, nem dedos para clicar em um botão. Ela age, decide e executa. Ela é software interagindo com software.

Essa persona atende pelo nome de agente autônomo. E é para ela que nasce a próxima sigla que todo desenvolvedor deveria conhecer: AX, ou Agent Experience.

Neste artigo, baseado no episódio #239 do nosso podcast Entre Chaves, iremos te mostrar porque a experiência do agente precisa começar a fazer parte das prioridades do desenvolvedor na construção de soluções digitais eficientes.

O que é AX (Agent Experience)?

Agent Experience é o conjunto de práticas, padrões e decisões de arquitetura que garantem que agentes autônomos como copilotos, bots ou fluxos de LLMs com capacidade de ação consigam interagir com sistemas digitais de forma eficiente, segura e sem fricção.

Assim como o UX se preocupa com a facilidade de uso para humanos, o AX foca na experiência de uso por personas digitais autônomas, que precisam entender, interpretar e agir sobre as soluções construídas.

Essa definição amplia o campo de visão da atuação dos desenvolvedores. Afinal, agora não basta perguntar se um ser humano consegue usar um sistema, é preciso saber se um agente também consegue.

Por que AX importa?

A resposta curta: porque os agentes já estão entre nós e fazendo mais do que apenas conversar.

Desde o avanço das LLMs em 2022, temos visto agentes se sofisticarem: deixando de ser apenas assistentes para se tornarem executores autônomos de ações. Isso muda completamente o jogo.

Aos poucos, os produtos digitais estão se tornando terreno de operação de agentes que monitoram pipelines, abrem pull requests, negociam com APIs de terceiros, interagem com sistemas legados e respondem a eventos sem intervenção humana direta.

E nesse novo cenário, a experiência do agente deixa de ser um detalhe técnico, passando a ser decisiva para o sucesso da aplicação como um todo.

Yasmim Fonseca Head de Produto na dti digital, ilustrou isso no nosso episódio #239 e forma bastante prática. Ela explicou que, se um agente precisa reservar uma viagem para um usuário, ele não pode apenas extrair dados de uma página. Ele precisa navegar pelas plataformas das companhias aéreas, autenticar, selecionar voos, aplicar preferências e processar pagamentos. Ou seja: agir como um usuário faria em uma interface projetada para humanos.

Essa realidade mostra que o AX não é opcional, é essencial.

AX, UX, DX, CX: onde tudo isso se encaixa?

O surgimento do AX não elimina as experiências anteriores. Pelo contrário: ele as estende.

  • Experiência do usuário continua sendo essencial, porque o humano ainda está na equação;
  • A experiência do dev segue relevante, pois agentes são criados e operados por desenvolvedores;
  • Experiência do cliente permanece central, já que o cliente final será impactado pela qualidade da experiência, seja ela direta ou mediada por agentes.

Mas o que muda é que, agora, existe um novo ponto de contato: a interação entre agente e sistema. E se essa ponte for mal construída, todo o resto desaba.

Quando um agente encontra fricção, isso se traduz em falha para o usuário final. Portanto, uma má experiência pode degradar toda a jornada, desde o back-end até a tela.

Benefícios de adotar AX na sua arquitetura

Implementar boas práticas de AX não é apenas uma preparação para o futuro, é uma forma de melhorar o presente. Entre os principais benefícios, estão:

  • Maior interoperabilidade: sistemas preparados para agentes são, por definição, mais modulares e abertos;
  • Automação inteligente de ponta a ponta: ao permitir que agentes executem fluxos completos, você libera tempo humano para tarefas mais estratégicas;
  • Escalabilidade de integrações: ao invés de integrações rígidas ponto a ponto, agentes operam sobre interfaces abertas, dinâmicas e seguras;
  • Resiliência arquitetural: preparar sistemas para agentes exige clareza, separação de responsabilidades e observabilidade, práticas que tornam qualquer software mais robusto.

Como aplicar AX na prática?

AX se traduz em decisões arquiteturais concretas. Ou seja, precisa ser muito bem construído para que as interações aconteçam de forma planejada para o humano, mas principalmente para o agente. Abaixo separamos alguns pontos que devem ser prioridades:

APIs bem definidas, seguras e documentadas

Agentes precisam consumir dados e executar comandos. APIs mal estruturadas, não versionadas ou sem contratos claros são um gargalo imediato já que podem gerar erros durante a jornada de navegação.

Eventos como gatilhos

Uma arquitetura orientada a eventos permite que agentes hajam em tempo real, com base em sinais reais do sistema, sem depender de polling ou rotinas artificiais.

Observabilidade profunda

Para supervisionar ações de agentes, é necessário saber o que eles fazem, por que tomam decisões e quais sistemas tocam. Logs, rastreamento e visualização de ações são cruciais para tornar esse processo mais ágil.

Dados confiáveis e contextualizados

Agentes tomam decisões baseados em dados. Portanto, a qualidade e estrutura das informações que seu sistema expõe são vitais já impactam diretamente nos resultados que o agente irá retornar ou implementar, seja por uma solicitação humana ou não.

Segurança pensada para autonomia

Agentes podem agir de forma não supervisionada. Isso requer autenticação forte, autorização granular e controle total sobre escopo de ação.

Além disso, eles devem ser construídos pensando até no tipo de informação que tem acesso e na maneira em que irão usá-las para completar suas ações.

Modelos abertos x fechados: qual caminho seguir?

Antes de tudo, Yasmim levantou um ponto importante no nosso episódio sobre a diferença entre os dois caminhos que as empresas podem seguir ao adotar AX. No fim, ambos exigem que os sistemas estejam preparados, mas o nível de exposição, complexidade e risco muda.

Modelos abertos

Esse tipo de estratégia envolve segurança e maior capacidade de adequação já que agentes de fora da organização precisam interagir com APIs públicas ou expostas.

É um modelo ideal para plataformas como iFood, por exemplo, onde eles se beneficiam de integração ampla.

Modelos fechados

Aqui, os próprios agentes da empresa interagem com os próprios sistemas. Assim, esse modelo é mais comum em grandes corporações como a Microsoft, que opera agentes como o Copilot integrando ferramentas internas.

O controle acaba sendo muito maior, mas ao mesmo tempo as regras de privacidade ainda se aplicam.

AX é sobre o presente e não sobre o futuro

Em outras palavras, talvez o maior erro que um time técnico possa cometer neste momento é pensar que AX é uma tendência distante.

Antes de tudo, as aplicações que estamos desenvolvendo hoje serão as mesmas que amanhã precisarão lidar com agentes. Em muitos casos, esse amanhã é agora.

Porém, não se trata de reescrever tudo. A ideia é reconhecer que, assim como nos adaptamos à web, ao mobile e à nuvem, agora estamos entrando na era agêntica. E ela exige uma nova forma de pensar.

Não vamos abandonar as telas, os formulários ou os dashboards. Em contrapartida, vamos adicionar um novo tipo de consumidor para o nosso código. E ele vai demandar mais do que uma boa UX. Vai demandar autonomia, clareza e integração.

Conclusão

Agent Experience é o nome da nova fronteira do desenvolvimento de software. Por isso, o desafio é profundo: projetar experiências não mais visíveis, mas compreensíveis e navegáveis por entidades autônomas.

Essa mudança impacta tudo: do código ao negócio, da API ao modelo comercial, da arquitetura à cultura de time.

Logo, estamos entre os profissionais que terão a responsabilidade de criar um novo jeito de fazer software. AX é mais do que uma sigla. É o próximo passo na evolução da engenharia de produto.

A pergunta que fica é: sua aplicação está pronta para conversar com agentes?

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