No momento, você está visualizando Tokenização de dados: protegendo informações sem comprometer a estratégia de negócio
Imagem de destaque blog

Tokenização de dados: protegendo informações sem comprometer a estratégia de negócio

O cenário de segurança digital no Brasil tem apresentado números alarmantes nos últimos anos. Segundo levantamento do Checkpoint Research, nosso país registrou um aumento impressionante de 67% em ciberataques apenas no segundo trimestre de 2024, comparado ao trimestre anterior. Este dado não representa apenas números em uma planilha – são vazamentos reais que afetam empresas e consumidores brasileiros diariamente. 

Com a tecnologia cada vez mais inteligente e acessível, as aplicações armazenam cada vez mais dados sensíveis de clientes, parceiros e colaboradores. A questão que se apresenta não é mais “se” as empresas sofrerão uma tentativa de ataque, mas “quando” isso acontecerá. 

Nesse cenário desafiador, a tokenização de dados surge como uma técnica essencial para proteger informações sensíveis sem abrir mão da capacidade analítica que esses dados proporcionam aos negócios. 

Por isso, preparamos um guia com tudo o que você saber sobre o tema. 

O que é tokenização de dados e por que isso importa 

A tokenização de dados é uma técnica de proteção que transforma dados originais em identificadores substitutos chamados tokens. Diferente de outras técnicas, ela mantém uma relação de correspondência entre o dado original e o token gerado, permitindo que o sistema ainda processe informações sem expor os dados sensíveis. 

Segundo Pedro Dantas, especialista em cibersegurança, basicamente essa é uma técnica onde após a transformação do dado em um token, eles não serão mais reidentificáveis.  

Por isso, pensando em privacidade e segurança, a tokenização de dados se torna fundamental. Dentre os benefícios está a minimização dos riscos de vazamentos mesmo em casos de invasões e a conformidade com regulamentações. 

Além disso, a técnica possibilita continuar utilizando as informações para análises estratégicas. A privacidade também é levada em consideração mantendo as experiências personalizadas.  

Tokenização x criptografia: diferenças fundamentais  

Um equívoco comum é confundir tokenização de dados  com criptografia. Embora complementares, são técnicas distintas com propósitos específicos. 

A criptografia é um algoritmo matemático que transforma dados originais em formatos ilegíveis, podendo ser classificada em três tipos principais: 

  • Criptografia simétrica: utiliza a mesma chave para criptografar e descriptografar dados; 
  • Criptografia assimétrica: utiliza pares de chaves (pública/privada) para garantir autenticidade; 
  • Hash: cria representações únicas e irreversíveis dos dados originais 

Já a tokenização é mais difícil de se recuperar os dados originais por conta do formato dos tokens. Por isso, ela é ideal para dados que são protegidos constantemente. No fim, ambos podem trabalhar em conjunto. 

Além disso, na tokenização, não existe necessariamente uma relação matemática entre o dado original e o token. A relação é mantida em um sistema separado, o que oferece uma camada adicional de proteção. 

Tipos de arquitetura de tokenização para as aplicações 

Ao implementar a tokenização em sua aplicação, você encontrará principalmente dois modelos de arquitetura: 

Tokenização com Cofre  

Este modelo surgiu originalmente para proteger dados extremamente sensíveis como informações de cartões de crédito. Nele, os dados originais são armazenados em um “cofre” separado e altamente seguro. 

Assim como, apenas os tokens permanecem no banco de dados principal. É nesse cofre também que se mantém a relação entre os tokens e os dados originais. Por isso, o acesso ao cofre é rigorosamente controlado e monitorado. 

Tokenização sem cofre  

Esta abordagem mais recente elimina a necessidade de manter um banco de dados separado. Ela utiliza algoritmos criptográficos para gerar tokens, que podem ser reversíveis com acesso ao algoritmo correto. 

Ou seja, eles reduzem a complexidade da infraestrutura, mas exigem atenção especial à segurança do algoritmo. Geralmente, são implementados através de APIs de serviços especializados. 

Implementação de tokenização em novas aplicações 

A implementação da tokenização de dados varia significativamente dependendo do contexto do projeto: 

Para novas aplicações, é fundamental adotar o princípio de “security by design”. Isso inclui: 

  • Planejar a arquitetura considerando a tokenização desde o início; 
  • Definir claramente quais dados precisam ser tokenizados; 
  • Estabelecer fluxos de dados que minimizem a exposição de informações sensíveis; 

Tokenização em sistemas legados 

Já em sistemas existentes, os desafios são maiores, mas é possível com a definição de critérios prioritários: 

  • Dar preferência aos dados mais críticos (como informações de pagamento); 
  • A implementação deve ser feita de forma gradual com validação de cada etapa; 
  • É preciso considerar o impacto nas interfaces existentes e adaptá-las conforme necessário; 
  • Manter a compatibilidade com sistemas integrados 

Pedro ainda disse no nosso episódio #210, que não é necessário paralisar todo o seu sistema para fazer esse processo da noite para o dia. Isso porque, vai demorar muito tempo e vai ser muito complexo. 

Aplicação em APIs e microsserviços 

Já em arquiteturas distribuídas, a melhor estratégia também é definir prioridades, como: 

  • O local do fluxo de dados onde se aplica a tokenização; 
  • A consideração de serviços dedicados para tokenização; 
  • Uma documentação bem-feita indicando como os serviços devem lidar com esses dados; 
  • A implementação de testes de integração específicos para verificar o comportamento correto. 

Os tipos de tokenização para os diferentes tipos de dados 

É importante que a técnica seja adaptada aos tipos específicos de informação que é preciso proteger, o que depende do contexto. 

Dados de pagamento: estes precisam estar em conformidade com os padrões PCI DSS (Padrão de Segurança de Dados da Indústria de Pagamento com Cartão). Além disso, é importante implementar proteções adicionais nesses casos, já que esses tokens podem ser usados para compras. 

Dados pessoais: a privacidade hoje não só é importante como é lei. Por isso, para estar em conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), é preciso identificar todas as informações que possam identificar alguém de forma direta ou indireta. Isso porque, combinações aparentemente inofensivas podem identificar pessoas. 

Dados para análise: sabemos que dados hoje são ouro para os negócios pensando estrategicamente, por isso, é possível usá-los par tomar decisões, desde que mantenha as identidades individuais das pessoas. Então, considere usar técnicas como differential privacy e data swapping. Além disso, sempre faça a avaliação da relevância de todas as informações colhidas. 

Como otimizar a tokenização de dados para escalar 

Em momentos de pico como Black Friday, fim de ano ou qualquer evento onde o sistema será muito demandado, a tokenização de dados também pode impactar a performance da aplicação. 

Por isso, é preciso considerar algumas ações prévias como o planejamento de capacidade com testes de carga simulando volume alto de tráfego, além do dimensionamento adequado da infraestrutura de tokenização. 

Também é preciso adotar táticas de otimização de algoritmos como a escolha cuidadosa da estratégia de tokenização prezando pelo equilíbrio entre segurança e performance.  

Já para informações que são frequentemente acessadas, é fundamental considerar cache seguro de tokens já processados anteriormente. 

Como aumentar a segurança do seu sistema  

Para evitar dores de cabeça com vazamentos de dados ou irregularidades com informações pessoais de usuários, é importante considerar algumas medidas: 

  • O cofre de tokens da rede externa precisa ficar totalmente isolado; 
  • Adicionar controles de acessos granulares baseados em funções; 
  • Utilização de sistemas de detecção de intrusão (IDS/IPS) específicos para o cofre; 
  • Monitoramento de padrões anormais de tráfego, especialmente durante períodos noturnos; 
  • Registro e análise de todos os acessos ao sistema de tokenização. 

Ferramentas e recursos para começar a implantar  

Para começar a implantar essa estratégia de proteção em uma aplicação, pode-se optar por serviços gerenciados como gateways de pagamento com tokenização embutida.  

Além disso, existem serviços especializados como o TaaS e provedores de nuvem com recursos nativos de tokenização. 

Existem também variadas bibliotecas de código aberto para diferentes linguagens de programação, além de componentes específicos para integração com sistemas legados, se for o caso. 

A importância de combinar a tokenização com outras formas de segurança e o futuro 

Mesmo sendo uma forma segura de proteger os dados, essa não deve ser a única estratégia de defesa adotada. 

Por isso, é importante combinar algumas outras abordagens como a criptografia em trânsito, autenticação multifator para acesso aos sistemas com informações sensíveis, além de manter um programa contínuo de testes de invasão. Uma ótima estratégia também é utilizar um RBAC (Controle de acesso baseado em função) para limitar o acesso aos dados. 

Porém, para o futuro temos que olhar para outros desafios também como uma tokenização resistente à computação quântica e integração mais profunda com tecnologias emergentes como a inteligência artificial, por exemplo. 

Conclusão 

A tokenização de dados representa hoje uma das estratégias mais eficazes para equilibrar a necessidade de proteger informações sensíveis e ao mesmo tempo extrair valor estratégico dos dados.  

Em um cenário onde os ciberataques aumentam consistentemente e as regulamentações se tornam mais rigorosas, implementar esta técnica não é apenas uma questão de segurança, mas de sobrevivência e vantagem competitiva. 

Além disso, ao adotar uma estratégia como essa, a organização demonstra compromisso com a privacidade dos clientes, conformidade regulatória e, ao mesmo tempo, mantém a capacidade de personalizar experiências e tomar decisões baseadas em dados. 

Porém, é importante lembrar que a implementação bem-sucedida exige planejamento cuidadoso, considerações de arquitetura e uma abordagem holística de segurança.  

Quer receber uma curadoria mensal com as últimas tendências em tecnologia? Assine a Newsletter Entre Chaves, onde você tem acesso a notícias, dicas de ferramentas e tutoriais do universo do desenvolvimento. Inscreva-se com seu melhor e-mail  

dti digital

Um dos nossos colaboradores especializados!